Os peixes voadores, da família Exocoetidae, conseguem percorrer dezenas de metros acima do mar sem bater as nadadeiras como uma ave. O movimento começa ainda debaixo d’água: o animal acelera com a cauda, inclina o corpo e rompe a superfície com velocidade suficiente para iniciar o planeio.
Depois do lançamento, as nadadeiras peitorais são abertas e funcionam como superfícies de sustentação. Algumas espécies também usam as nadadeiras pélvicas. O ar que passa por essas estruturas retarda a descida e prolonga o percurso, embora o arrasto reduza gradualmente a velocidade. Estudos aerodinâmicos publicados no Journal of Experimental Biology analisam as forças envolvidas nessa manobra.
O impulso antes e depois da saída
A velocidade inicial é decisiva. Se o peixe deixasse a água lentamente, não teria sustentação suficiente para permanecer no ar. Ao romper a superfície, ele estende as nadadeiras e ajusta a trajetória com a posição do corpo e dessas estruturas. O controle, porém, é limitado pelo vento, pelas ondas e pela velocidade alcançada.
Em determinadas condições, o lobo inferior da cauda toca a água enquanto a maior parte do corpo continua no ar. O contato pode gerar outro impulso e levar o animal a um novo trecho de planeio. Essa sequência é descrita por pesquisadores como uma espécie de corrida sobre a superfície, mas não significa que o peixe caminhe.
Nem toda trajetória inclui esse reforço. A altura das ondas, a velocidade e a espécie influenciam o movimento. Por isso, o alcance varia entre saltos. A combinação entre impulsos e planeios sucessivos pode resultar em percursos de dezenas de metros, mas essa distância não representa uma marca fixa para todos os exemplares.
Por que o peixe deixa a água
Uma explicação importante para o salto é a fuga de predadores aquáticos. Ao sair do mar, o peixe pode interromper uma perseguição, embora também fique exposto a outros riscos, inclusive aves. A finalidade de cada salto não pode ser definida apenas pela observação de um animal acima das ondas.
O deslocamento também não corresponde ao voo sustentado de uma ave. O peixe aproveita a velocidade obtida na água e mantém as nadadeiras abertas para planar. Já uma ave produz sustentação continuamente com batimentos. Quando retorna ao mar, o peixe pode submergir ou usar novamente a cauda, se houver condições para outro impulso. O contato com a água, portanto, faz parte do ciclo da manobra.







