Três focas-comuns foram observadas seguindo trajetos retilíneos entre as turbinas dos parques eólicos de Sheringham Shoal e Alpha Ventus, no Mar do Norte. Os animais reduziam a velocidade ao se aproximar das fundações submersas, comportamento que indicou uma busca concentrada por presas.
A equipe coordenada por Deborah Russell, da University of St Andrews, instalou aparelhos de GPS nas focas. O monitoramento, registrado pela Current Biology, acompanhou os mergulhos realizados durante semanas e revelou que os animais navegavam entre as colunas metálicas seguindo fileiras ordenadas.
Estruturas artificiais concentram alimento
As fundações das turbinas alteram o ambiente dos fundos oceânicos planos ao oferecer superfícies para a fixação de cracas, anêmonas, mexilhões e outros organismos. A presença desses invertebrados favorece a concentração de pequenos peixes, que usam frestas da estrutura como abrigo contra correntes.
A disponibilidade de alimento atrai cardumes maiores e predadores. Com isso, as colunas de aço funcionam como pontos de concentração de espécies marinhas e tornam previsível a localização das presas para as focas.
Os parques eólicos também criam áreas onde a pesca predatória de arrasto é restrita. Essa condição permite a permanência de populações de peixes e reduz o impacto de embarcações de pesca industrial no entorno das fundações.
Para as focas-comuns, a distribuição regular das estruturas pode diminuir a necessidade de percorrer longas distâncias durante a alimentação. O conhecimento dos pontos de caça também reduz o gasto energético dos mergulhos e aumenta a eficiência da busca por alimento.
Implicações para novos parques
A observação do comportamento das focas indica que estruturas industriais no mar podem formar novos refúgios ecológicos. O desenvolvimento de complexos eólicos em alto mar deverá considerar os efeitos sobre as espécies oceânicas, além da geração de energia.
A integração entre os projetos de parques marítimos e a preservação biológica pode orientar o trabalho de engenheiros e biólogos. O caso acompanhado no Mar do Norte mostra que animais selvagens podem incorporar estruturas artificiais às estratégias de alimentação.







