Escavações na antiga Esmirna identificaram salas dos séculos V e VI com mosaicos, revestimento de mármore e pinturas murais. As superfícies apareceram em áreas da ágora e nas proximidades do teatro onde esse tipo de decoração ainda não havia sido registrado.
A equipe encontrou três ambientes da Antiguidade tardia. Dois têm pisos de mosaico, enquanto um conserva revestimento de mármore. Os materiais indicam planejamento e investimento durante um período em que a cidade permanecia ativa.
Segundo o diretor da escavação, foi a primeira vez que pinturas desse tipo surgiram nesses setores. A descoberta amplia o conjunto de referências visuais conhecido de Esmirna, cuja ágora já era estudada havia décadas.
O que a preservação revela
A predominância atual de pedra e tijolo pode criar uma imagem sem cor das cidades antigas. Pigmentos e rebocos finos são mais vulneráveis ao sol, à chuva, a reformas, incêndios e escavações anteriores. Com isso, as superfícies desaparecem, enquanto os materiais estruturais permanecem.
Quando pinturas e mosaicos sobrevivem, ajudam a investigar como paredes e pisos organizavam circulação, prestígio e identidade. Os achados também podem contribuir para delimitar acessos e hierarquias entre ambientes. Desenhos e técnicas permitem comparações com outros edifícios datados.
A função das salas ainda não foi definida. Objetos associados, portas, marcas de desgaste e fases de reforma precisam ser analisados antes de estabelecer se os espaços tinham uso administrativo, comercial, cerimonial ou outra finalidade.
Como o trabalho é feito
A recuperação começa com a exposição lenta das camadas e o registro da posição dos materiais, de sua relação com as paredes e da sequência dos depósitos. Conservadores estabilizam o reboco solto para evitar que mudanças de umidade desprendam a superfície.
O procedimento inclui escavação em camadas finas, registro fotográfico e espacial, estabilização do reboco e análise de pigmentos e argamassas. Retirar a terra é apenas uma etapa: contexto, conservação e documentação definem quanto a descoberta poderá ensinar.
A ocupação e a reconstrução de Esmirna ao longo dos séculos fizeram com que diferentes versões do centro urbano permanecessem sob a cidade conhecida. A identificação de novas paredes e pisos mostra que o estudo da ágora ainda pode revelar áreas não registradas.







