A expansão das rodovias sobre áreas naturais aumenta o risco de atropelamentos do tamanduá-bandeira, especialmente no Cerrado brasileiro. O tráfego intenso fragmenta os habitats e interfere nos deslocamentos dos animais em busca de alimento e água.
Em rodovias de Mato Grosso do Sul, caminhões pesados estão entre os fatores associados à perda contínua de indivíduos. As colisões dificultam que os animais cheguem à maturidade reprodutiva necessária para a manutenção das populações locais.
Monitoramento orienta as obras
Pesquisadores liderados por Arnaud Desbiez, do ICAS, estudam a espécie no Pantanal. Coleiras com telemetria via satélite registram os deslocamentos e ajudam a identificar trajetos habituais e áreas em que as travessias sobre a pista são frequentes.
Armadilhas fotográficas instaladas nas margens das rodovias complementam o monitoramento. As imagens registram comportamentos noturnos e contribuem para definir medidas de conservação e obras preventivas ao longo dos trechos asfaltados.
Como funcionam as passagens de fauna
As passagens subterrâneas são túneis construídos sob as rodovias para permitir que os animais atravessem com segurança, sem entrar na faixa de trânsito. O projeto precisa considerar as características ecológicas de cada área.
Entre os elementos previstos estão dimensões que permitam a entrada de luz, piso coberto com terra, areia e vegetação rasteira semelhante à do entorno e sistemas de drenagem para evitar alagamentos no período chuvoso. Essas condições ajudam a reduzir a desconfiança dos animais diante da estrutura.
As cercas condutoras completam o sistema. Instaladas de forma contínua ao longo da pista, elas bloqueiam o acesso dos animais ao asfalto e direcionam os indivíduos para as entradas das passagens. A manutenção periódica é necessária para evitar aberturas no cercamento.
A combinação entre túneis e cercas reduz colisões fatais, restabelece o fluxo gênico entre populações isoladas e diminui acidentes materiais envolvendo motoristas durante a noite. A reconexão dos habitats também permite que o tamanduá-bandeira circule por áreas mais amplas e favorece trocas genéticas importantes para a descendência da espécie.







