Antes de o futebol ocupar estádios e de campeonatos serem transmitidos pela televisão, provas de pedestrianismo reuniam multidões dispostas a acompanhar pessoas caminhando ou correndo por horas, noites e dias. Nas décadas de 1870 e 1880, a modalidade combinava resistência física, apostas e fama.
As competições eram realizadas em ginásios com pistas, iluminação, música e placares atualizados. O público acompanhava uma disputa em que cada volta podia mudar as apostas e a posição dos participantes. Jornais divulgavam as distâncias e descreviam as condições dos competidores, permitindo que espectadores saíssem e retornassem horas depois para reencontrar a prova em andamento.
Provas de vários dias
Alguns eventos duravam seis dias, de segunda a sábado, com descanso dominical. Conforme as regras, os participantes podiam caminhar ou correr. Os melhores chegavam a percorrer centenas de quilômetros, alternando ritmo, alimentação e breves períodos de sono.
A resistência dependia também da estratégia e do apoio das equipes. Bolhas, dor, privação de descanso e decisões equivocadas podiam fazer um líder perder vantagem. Treinadores cuidavam de comida, roupas e massagem, em uma estrutura semelhante à de um esporte profissional.
Mulheres também disputavam eventos próprios e atraíam atenção. Além do desempenho, comentários da época avaliavam roupas e comportamento. A participação feminina colocava mulheres em um espaço público de competição e permitia que ganhassem dinheiro com a resistência física.
O público acompanhava quando os competidores aceleravam ou descansavam para perder o menor número possível de voltas. O desgaste podia causar quedas, confusão e abandono. As condições de descanso e o acompanhamento médico variavam, e o espetáculo muitas vezes valorizava a continuidade na pista acima dos cuidados com a saúde.
A popularidade diminuiu com mudanças no gosto do público, denúncias de manipulação, novas formas de entretenimento e o crescimento de outros esportes. As provas longas continuaram existindo, mas o pedestrianismo deixou de ocupar o centro da cultura popular. O canal do YouTube Ultrarunning History apresenta a primeira onda de corridas femininas de seis dias em meio a multidões, imprensa e apostas.







