O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou sanções contra empresas que explorarem recursos naturais nas Ilhas Malvinas sem autorização argentina. Ele também informou que pretende construir uma base naval integrada na província da Terra do Fogo, em meio à reação a declarações de Donald Trump sobre uma possível revisão da neutralidade dos Estados Unidos na disputa entre Argentina e Reino Unido.
Milei disse que assinará um decreto para acelerar as sanções contra empresas, acionistas, diretores e fornecedores envolvidos em projetos nas ilhas. Um projeto de lei será enviado ao Parlamento para ampliar as punições. As companhias poderão ser impedidas de operar no território continental argentino e submetidas a julgamentos à revelia.
O presidente citou os projetos de exploração de petróleo da israelense Navitas e da britânica Rockhopper. Segundo Milei, a produção poderia começar nas ilhas, ocupadas pelo Reino Unido desde 1833. A Argentina já havia sancionado a Rockhopper em 2013 e a Navitas em 2022. Também possuem licenças exploratórias no arquipélago a britânica Borders & Southern e a canadense JHI.
As medidas poderão alcançar outras atividades econômicas das Malvinas, como pesca, turismo de cruzeiros e pecuária ovina. O decreto sobre a Defesa terá como prioridade ampliar os recursos para a construção da base naval na Terra do Fogo, território que a Argentina considera incluir as ilhas.
Reação do Reino Unido
O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, afirmou que as declarações de Milei dizem mais sobre a política interna argentina do que sobre as Malvinas. Ele reiterou que o compromisso britânico com as ilhas é absoluto e que os habitantes escolheram ser britânicos.
A posição foi reforçada pelo porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, que declarou que a soberania pertence ao país e que o direito dos moradores à autodeterminação é fundamental. Em um referendo realizado nas ilhas em 2013, a permanência no Reino Unido venceu com 99,8% dos votos, enquanto três pessoas votaram contra.
Trump afirmou que os Estados Unidos sempre revisam suas posições, ao ser questionado sobre uma possível mudança na política em relação às Malvinas. Em outra entrevista, perguntou se os Estados Unidos ajudariam o Reino Unido em um eventual conflito armado pelas ilhas e respondeu: “Seu país não esteve lá para me ajudar”.
Milei avaliou que uma eventual mudança americana estaria relacionada à proximidade entre os dois presidentes. O argentino descreveu a Argentina como um parceiro alinhado aos valores ocidentais e potencial aliado dos Estados Unidos nas próximas décadas.








