A Austrália foi apontada como o país com o conjunto mais abrangente de características associadas à resistência e à recuperação diante de catástrofes globais. A avaliação considerou cenários como guerras nucleares, impactos de asteroides, erupções vulcânicas, pandemias e ataques cibernéticos de larga escala.
O estudo foi publicado na revista científica Global Challenges e analisou eventos capazes de causar a morte de pelo menos 10% da população mundial. Para isso, os pesquisadores fizeram uma revisão de trabalhos acadêmicos com auxílio do OpenAlex, base bibliográfica analítica e aberta.
Fatores considerados
A pesquisa buscou identificar características geográficas, políticas, econômicas e sociais relacionadas à capacidade de manter serviços essenciais, recuperar-se e adaptar-se depois de eventos extremos.
O isolamento geográfico foi um dos fatores favoráveis à Austrália. O país está distante dos grandes centros populacionais e políticos do Hemisfério Norte, o que poderia representar uma vantagem em situações como guerras e pandemias. A distância também facilita o controle das fronteiras.
Ao mesmo tempo, a Austrália mantém forte dependência da importação de produtos essenciais, incluindo medicamentos, combustíveis e fertilizantes. O país é o sexto maior do mundo, tem diferentes zonas climáticas e dispõe de áreas favoráveis à agricultura.
A análise também considerou a existência de recursos energéticos, como carvão e gás natural, além de uma base industrial relativamente robusta. Esses elementos poderiam ajudar a manter parte da infraestrutura funcionando em alguns cenários.
Brasil e Argentina
Brasil e Argentina também apresentaram características favoráveis no estudo. Os dois países estão majoritariamente no Hemisfério Sul, têm vastos territórios e são importantes produtores de alimentos.
A governança, porém, pesou na avaliação. Instituições eficientes, menor desigualdade e maior coesão social ampliam a capacidade de responder a crises, organizar recursos e coordenar ações de emergência. No caso dos dois países, o estudo apontou a desigualdade social e a instabilidade política como fatores históricos capazes de reduzir a resiliência.
A pesquisa não considera a existência de um lugar completamente seguro diante de uma catástrofe global. De acordo com a análise, cada região reúne vantagens e vulnerabilidades diferentes, embora a Austrália tenha concentrado o conjunto mais amplo de características favoráveis na literatura examinada.







