PARIS — Santiago Muzio renunciou ao cargo de diretor da Casa Argentina de Paris após enfrentar acusações relacionadas à gestão da instituição. Entre as denúncias estão a expulsão de residentes, a retirada de uma placa em homenagem a desaparecidos da ditadura e a realização de reuniões de grupos de extrema-direita no local.
Muzio é advogado franco-argentino e havia sido nomeado em 2024 pelo governo do presidente argentino Javier Milei. A saída foi confirmada por uma fonte do Ministério do Capital Humano da Argentina.
Investigação e sucessão
A administração de Muzio também levou a prefeitura de Paris a solicitar uma investigação formal em julho. Ao defender sua atuação, o então diretor afirmou que pretendia “arrancar o lugar das garras da extrema-esquerda e da ideologia woke”.
Alfredo Mario Soto foi escolhido para assumir a direção. Ele é vice-reitor da Universidade Nacional de Rosário e já morou na residência estudantil da Casa Argentina de Paris.
A Assembleia de Cidadãos Argentinos na França comemorou a renúncia e pediu que Soto anule as expulsões e reponha o memorial dedicado aos desaparecidos. As solicitações foram apresentadas como parte das medidas esperadas da nova gestão.
A troca no comando ocorre poucas semanas antes de uma visita de Milei à França, prevista para o fim deste mês. A mudança, portanto, antecede a agenda do presidente argentino no país, sem que tenham sido informados outros detalhes sobre a viagem ou sobre a posse do novo diretor.







