Garrafas PET cheias de água podem ser instaladas no telhado para levar luz natural a cômodos escuros durante o dia. A solução foi criada para residências populares em áreas com construções densas, poucas janelas e necessidade de iluminação elétrica constante.
A ideia foi desenvolvida pelo mecânico Alfredo Moser em Uberaba, no início dos anos 2000. Os apagões elétricos motivaram o inventor brasileiro a buscar uma forma simples de iluminar oficinas residenciais sem aumentar as despesas.
A iniciativa Liter of Light levou o método a comunidades vulneráveis em diferentes territórios. Organizações sociais passaram a ensinar moradores a reproduzir a estrutura usando embalagens plásticas descartadas como parte de sistemas de iluminação natural.
O funcionamento depende da refração da luz. Quando os raios solares atravessam a garrafa transparente, a passagem do ar para a água altera a velocidade da onda luminosa e espalha os feixes em vários ângulos. Com isso, o recipiente distribui claridade difusa em trezentos e sessenta graus, reduzindo sombras profundas no ambiente.
Para evitar problemas, a garrafa precisa estar limpa e sem partes opacas. A perfuração no telhado deve ser vedada com borracha ou resina, impedindo a entrada de água da chuva. A fonte também recomenda o uso de água sanitária para dificultar a formação de microrganismos e lodo verde, que reduzem a transparência do líquido.
Testes de engenharia civil avaliaram a técnica em protótipos habitacionais fechados. Os resultados indicaram aumento da claridade interna sob sol pleno, mas redução do rendimento em períodos nublados. A transmissão de luz também cessa ao anoitecer.
Na pesquisa sobre iluminação zenital com garrafas plásticas recicladas, Nancy Varela Terreros e Daniel Espinoza Díaz registraram aumento dos índices de lux no ambiente. As medições apontaram maior iluminância nos pontos centrais, dependência da luz externa e ampla dispersão angular.
A adoção da estrutura reduz a necessidade de manter lâmpadas artificiais acesas durante a tarde. Para famílias de baixa renda, o reaproveitamento pode diminuir o uso de eletricidade e transformar embalagens descartáveis em uma alternativa de iluminação natural.







