O Conselho de Supervisão da Meta recomendou que a empresa não substitua a verificação de informações feita por jornalistas pelas chamadas Notas da Comunidade. A Meta começou a testar o novo sistema em 16 países da América Latina, mas o Brasil não foi incluído.
Em comunicado, o conselho afirmou que a checagem profissional e as notas criadas e aprovadas por usuários são mecanismos complementares, com objetivos diferentes. O órgão pediu que a Meta não trate as Notas da Comunidade como substituição direta do trabalho de jornalistas.
Riscos por país
Segundo o conselho, as notas podem ser manipuladas ou produzir efeito contrário em regimes repressivos e em sociedades polarizadas. O órgão também citou possíveis danos em contextos de violência política e em países com redes de desinformação em larga escala.
A orientação é que a passagem da fase de testes para a implementação seja precedida por uma avaliação dos riscos específicos de cada país. As notas podem ser elaboradas por usuários que atendam a requisitos da Meta, como ter pelo menos 18 anos, manter uma conta com no mínimo seis meses de existência e não ter violado repetidamente as regras da plataforma.
A Meta, empresa responsável por Facebook, WhatsApp e Instagram, anunciou o teste como uma etapa para substituir o programa de verificação profissional de conteúdos. A companhia já havia encerrado esse modelo nos Estados Unidos no ano passado e adotado as Notas da Comunidade, baseadas na colaboração entre usuários.
Os países incluídos no teste são Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O Brasil, maior mercado das plataformas da Meta e com eleições presidenciais previstas para outubro, ficou fora da lista.
A Rede Internacional de Checagem de Fatos também questionou a decisão e avaliou que o programa da Meta não é suficiente em contextos de alta desinformação. A organização reúne instituições que participam da verificação profissional de conteúdos, realizada em mais de 26 idiomas.








