Manaus, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Pastor palestino denuncia uso de referências bíblicas na expansão israelense

Munther Isaac afirma que a Cisjordânia vive ataques constantes e critica a falta de responsabilização internacional por ações de Israel.

Pastor palestino denuncia uso de referências bíblicas na expansão israelense

O pastor palestino Munther Isaac afirma que a ausência de um cessar-fogo efetivo na Cisjordânia, a expansão de assentamentos e o uso de argumentos religiosos ampliam a pressão sobre a população palestina. Para ele, Israel utiliza referências bíblicas para sustentar a tomada de terras e justificar violações de direitos humanos.

Isaac lidera uma igreja em Ramallah e foi pastor da Igreja Luterana de Belém. Nascido em Belém, ele fez doutorado em Oxford. Durante uma passagem pelo Brasil, relatou que cristãos e muçulmanos palestinos são tratados da mesma forma pelas autoridades israelenses, porque todos são vistos como palestinos.

Ataques e expansão na Cisjordânia

Segundo o pastor, a Cisjordânia vive ataques constantes e a anexação diária de terras pelo governo de Benjamin Netanyahu. Ele afirmou que os palestinos passam de quatro a cinco horas por dia nos check points e que novos assentamentos estão sendo conectados por uma estrada que corta Ramallah pela metade.

Isaac disse temer que a escalada de violência observada em Gaza se repita na Cisjordânia. Na avaliação dele, o governo de Israel pretende forçar os palestinos a deixar a região e impedir a reconstrução de Gaza. O pastor também mencionou a declaração do ministro da Defesa de que aguardaria autorização dos Estados Unidos para transferir milhares de habitantes de Gaza.

Para Isaac, o movimento sionista deixou de ser secular e passou a adotar uma dimensão religiosa. A Cisjordânia, chamada de Samária em referências usadas por defensores dessa visão, seria apresentada como o centro de uma disputa por terras bíblicas. O pastor afirmou que o objetivo deixou de ser apenas a criação de um Estado seguro para judeus e passou a incluir a retomada de locais descritos nas escrituras.

Críticas ao uso da religião

Isaac disse ficar indignado quando argumentos bíblicos são usados para defender a violência. “Textos religiosos devem ser usados para unir os cidadãos, para promover o amor e a igualdade, não a supremacia ou a limpeza étnica”, afirmou.

Ele relatou casos em que colonos reivindicam terras palestinas com base na leitura da Bíblia e criticou a apresentação desse argumento até mesmo na ONU. Na visão do pastor, essa justificativa é usada para desconsiderar o direito internacional, crimes de guerra e a história de famílias palestinas que vivem nas áreas há gerações. Para ele, acontecimentos iniciados em 1948 voltam a se repetir.

Durante sua passagem pelo Brasil, Isaac também conversou com evangélicos que carregavam bandeiras de Israel. De acordo com o pastor, alguns disseram acreditar que a Bíblia determinava o apoio ao país, mas desconheciam a situação dos palestinos, a existência de cristãos palestinos e a diferença entre a Cisjordânia e Gaza.

Paz e responsabilização

Isaac avaliou que o Conselho da Paz de Trump não conseguirá responder às necessidades da região por estar baseado na imposição de força, e não em direitos. Ele afirmou que mais de mil palestinos foram mortos desde o cessar-fogo e, por isso, considera que não existe uma trégua verdadeira.

O pastor citou ainda Bezalel Smotrich, ministro das Finanças de Netanyahu, que defendeu uma guerra na Judeia e na Samária e a eliminação da Autoridade Palestina. Para Isaac, a violência em Gaza e a expansão na Cisjordânia ameaçam qualquer perspectiva de paz.

O líder cristão palestino afirmou ter perdido a esperança de que a comunidade internacional consiga impor responsabilização. Ele reconheceu medidas adotadas por países contra produtos de assentamentos, mas disse que elas são insuficientes. Na avaliação dele, Israel deveria ser isolado e os responsáveis por crimes deveriam ser julgados.

Para Isaac, a falta de responsabilização torna o direito internacional irrelevante e permite que governos apoiados por uma superpotência ajam sem limites.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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