Donald Trump ampliou a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) após o relatório de emprego dos Estados Unidos mostrar a criação de 162 mil postos de trabalho em agosto, acima das previsões. O presidente americano afirmou que pode interromper negociações comerciais com países com os quais os EUA têm déficit se o banco central não reduzir os juros.
“Diminuam a taxa ou eu paro de negociar com os países com os quais temos déficit”, escreveu Trump em uma publicação na Truth Social. Ele afirmou que essa estratégia seria melhor do que tarifas.
O relatório foi divulgado pelo Departamento do Trabalho dos EUA. As estimativas para a criação de vagas variavam de zero a 125 mil. Os dados de julho foram revisados: o fechamento de 23 mil vagas passou a ser registrado como criação de 21 mil. Em junho, o número foi alterado de 20 mil para 31 mil postos de trabalho.
A taxa de desemprego permaneceu em 4,1% em agosto, no mesmo nível de julho. Trump classificou os números como ótimos e afirmou que o resultado superou as estimativas por duas ou três vezes.
Pressão por juros menores
Trump também relacionou a força da economia dos EUA ao custo de financiamento. A dívida do país atingiu US$ 40 trilhões, e o presidente defendeu que a atividade econômica deveria permitir taxas menores.
“Um país forte significa uma taxa de juros mais baixa — é um crédito melhor”, afirmou. Ele voltou a dizer que os EUA deveriam ter a menor taxa de qualquer país do mundo.
Os juros estão na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano desde o início do ano. As apostas do mercado indicam possibilidade de aumento na reunião do Fed marcada para os dias 15 e 16 deste mês.
Trump também pediu que o conselho do Fed seja patriota e declarou que as taxas elevadas colocam os EUA em uma desvantagem injusta.
Reação dos mercados
Em Wall Street, o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq caíram após a divulgação do payroll de agosto. Os Treasurys subiram, e os títulos de dívida de dois anos, mais sensíveis à política monetária, alcançaram o maior nível desde janeiro de 2025.
No Brasil, o Ibovespa aprofundou as perdas antes de voltar a operar no azul. O dólar à vista subiu e chegou à casa de R$ 5,12.
A Capital Economics avaliou que mesmo os defensores de uma política monetária mais favorável ao afrouxamento teriam dificuldade para encontrar, nos dados de agosto, uma justificativa para manter os juros no nível atual. Para a consultoria, a possibilidade de aumento neste mês depende principalmente dos dados de inflação da próxima semana.
A Oxford Economics manteve a previsão de que o Fed ficará em espera neste mês. A consultoria afirmou que uma criação de empregos acima do esperado não significa, por si só, que o mercado de trabalho esteja superaquecido ou fora de equilíbrio. Também apontou que a taxa de desemprego permaneceu estável em uma base não arredondada, mas subiu em uma base arredondada.







