O Itaú BBA estima que as ações da Petrobras têm potencial de valorização de cerca de 35%, com preço-alvo de R$ 64 para o fim de 2027. O banco mantém recomendação outperform e considera a companhia sua principal escolha no setor.
A projeção considera geração robusta de caixa mesmo com a ampliação dos investimentos. Em um cenário de Brent a US$ 75 por barril, o Itaú BBA calcula dividend yield próximo de 15% em 2027.
Investimentos podem superar o plano atual
O banco projeta capex de US$ 22,7 bilhões em 2027 e US$ 22 bilhões em 2028. Os valores ficam acima das previsões do plano estratégico vigente, de US$ 21 bilhões e US$ 20,5 bilhões, respectivamente. Ainda assim, a expectativa é de redução dos desembolsos a partir de 2028.
A análise considera que os investimentos ficaram, em média, 18% abaixo do previsto entre 2016 e 2023. Em 2024 e 2025, os desembolsos superaram as estimativas, e 2026 deve seguir o mesmo caminho, com aceleração de projetos, especialmente em Búzios.
Os analistas Eric de Mello, Monique Martins Greco Natal, Eduardo Mendes e Ignacio Sabelle afirmam que as decisões sobre alocação de capital passaram a ocupar espaço maior nas conversas com investidores. Para a equipe, a questão central é identificar quais projetos podem mudar a tese de investimento da Petrobras.
O upstream continua como principal destino dos recursos. Mais de 83% dos investimentos dos últimos dois anos foram direcionados ao segmento, que deve receber mais de 76% do plano de cinco anos. Entre os projetos destacados estão Búzios 12 e a revitalização de Albacora, com investimentos estimados em US$ 11,5 bilhões.
Margem Equatorial e África são apontadas pelo Itaú BBA como fronteiras relevantes para a exploração.
Diesel e fertilizantes entram no radar
Fora do upstream, a Petrobras avalia alternativas em fertilizantes, biocombustíveis e refino. Uma simulação do banco indica que a expansão das plantas de fertilizantes em 2,95 milhões de toneladas anuais exigiria aproximadamente US$ 4,8 bilhões.
O diesel aparece como uma das possibilidades com maior alinhamento ao negócio principal. O plano atual prevê que a Petrobras atenda 85% da demanda brasileira em 2030, enquanto a administração já indicou a intenção de buscar autossuficiência no próximo ciclo de investimentos.
Para o Itaú BBA, os projetos previstos atualmente não eliminariam a diferença entre oferta e demanda de diesel de baixo teor de enxofre no Brasil. O déficit estimado seria de cerca de 170 mil barris por dia no início da próxima década. Para alcançar a autossuficiência, a estatal precisaria acrescentar aproximadamente 175 mil barris por dia à produção prevista no plano atual.
Modernizações e ampliações de refinarias poderiam exigir entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões em capex adicional. O banco, porém, considera difícil eliminar toda a diferença apenas com projetos brownfield.
Outras possibilidades
A Refinaria de Mataripe também aparece no mapeamento. De acordo com a avaliação do Itaú BBA, a Petrobras demonstra interesse pelo ativo, mas condiciona uma eventual operação ao preço. O valor estimado para a refinaria varia de US$ 1,5 bilhão a US$ 3 bilhões.
A lista inclui ainda petroquímica, minerais críticos, etanol e distribuição. No caso da Braskem, a Petrobras poderia desembolsar cerca de US$ 2 bilhões se participasse de um eventual aumento de capital para manter sua participação minoritária.
As discussões sobre minerais críticos estão em estágio inicial. O retorno ao etanol poderia ocorrer por meio de participações minoritárias ou joint ventures.
O Itaú BBA avalia que etanol, minerais críticos e distribuição de GLP exigiriam aportes relativamente menores, mas teriam alinhamento mais limitado com a estratégia central da Petrobras. Mataripe e fertilizantes, por outro lado, enfrentariam desafios econômicos e de governança.
Para o banco, a busca pela autossuficiência em diesel tem maior alinhamento estratégico, sobretudo se ocorrer por meio da modernização e da ampliação das refinarias existentes. Um eventual retorno à distribuição de combustíveis poderia exigir desembolso maior e só ganharia espaço depois de 2029.








