Besouros-tigre podem interromper a perseguição de uma presa porque correm mais rápido do que conseguem atualizar com precisão a imagem do alvo. O inseto dispara, perde temporariamente a referência visual, para e volta a localizar a presa antes de iniciar outra arrancada.
A chamada “cegueira” durante a corrida não significa que os olhos deixem de funcionar nem que o animal sofra necessariamente uma lesão. O problema está na diferença entre a velocidade do deslocamento e a capacidade de acompanhar as mudanças na posição da presa. Como a imagem se altera rapidamente, parte da informação visual se perde durante o movimento.
Pausas ajudam a retomar a direção
Ao parar, o besouro consegue recuperar a referência do alvo e ajustar o trajeto. A caçada, portanto, combina corridas rápidas com intervalos curtos de orientação, em vez de um deslocamento contínuo com visão estável da presa.
A estratégia também mostra que a velocidade não é suficiente para capturar o alimento. O predador precisa manter a direção correta e usar diferentes sentidos para lidar com o terreno e os obstáculos.
Pesquisadores da Universidade Cornell, Daniel Zurek e Cole Gilbert, investigaram o papel das antenas em um trabalho divulgado em 2014. Os insetos mantinham essas estruturas em uma posição que permitia identificar obstáculos à frente durante a corrida.
Antenas complementam a visão
A equipe comparou o deslocamento dos besouros diante de pequenos obstáculos em condições que modificavam as informações disponíveis. Os resultados indicaram que as antenas forneciam pistas mecânicas importantes. Quando a visão perdia eficiência, o contato com o ambiente ajudava o animal a continuar avançando sem depender apenas dos olhos.
As antenas também podem tocar um obstáculo e transmitir informações usadas para ajustar o movimento. Essa função é diferente de formar uma imagem detalhada da presa, mas contribui para atravessar superfícies irregulares. Localizar o alimento, persegui-lo e evitar colisões são tarefas distribuídas entre diferentes sentidos.
O comportamento não deve ser atribuído a todos os besouros. Besouros-tigre formam um grupo de predadores com características próprias, e a velocidade e os padrões de movimento variam entre as espécies. Nesse caso, a pausa faz parte de uma combinação entre corrida rápida, recuperação da referência visual e uso das antenas para orientação.







