Em janeiro de 2009, cientistas adicionaram ferro a uma área do Oceano Austral para estimular o crescimento de microalgas e avaliar se o processo retiraria dióxido de carbono da atmosfera. A experiência LOHAFEX provocou a floração esperada, mas boa parte das algas foi consumida pelo zooplâncton antes de levar carbono para águas profundas.
A equipe internacional, formada por pesquisadores da Índia, da Alemanha e de outros países, embarcou no navio de pesquisa alemão Polarstern. O experimento ocorreu em uma área dentro de um grande redemoinho oceânico no setor sudoeste do Atlântico.
Como funcionou a fertilização
Cerca de seis toneladas de ferro dissolvido foram distribuídas em uma região de aproximadamente 300 quilômetros quadrados. Os pesquisadores acompanharam o local durante 39 dias.
Em grandes áreas do Oceano Austral, há nitrogênio e outros nutrientes, mas o ferro é insuficiente para sustentar um crescimento intenso do fitoplâncton. A hipótese era que a adição do elemento estimularia as microalgas, que usariam o CO₂ dissolvido na água durante a fotossíntese.
Nas duas primeiras semanas, a biomassa do fitoplâncton aproximadamente dobrou. O crescimento retirou CO₂ temporariamente da água superficial e levou os cientistas a acompanhar quanto desse carbono conseguiria afundar.
Zooplâncton impediu o afundamento
A floração foi formada por espécies de algas acessíveis a pequenos animais marinhos. Copépodes, que fazem parte do zooplâncton, aumentaram o consumo do fitoplâncton e limitaram a continuidade do crescimento.
Com isso, parte significativa da matéria vegetal entrou na cadeia alimentar, em vez de se acumular e afundar. O carbono permaneceu circulando próximo à superfície, onde poderia ser reciclado e retornar à água e à atmosfera.
O resultado diferiu de experiências anteriores que haviam estimulado florações de diatomáceas. Essas microalgas têm estruturas de sílica, são menos facilmente consumidas por alguns predadores e podem afundar rapidamente após a floração.
No LOHAFEX, a água tinha pouco ácido silícico, matéria-prima necessária para a formação dessas estruturas. Sem o predomínio das diatomáceas, outros grupos de fitoplâncton cresceram e ficaram mais vulneráveis aos copépodes.
Ao final do acompanhamento, apenas uma quantidade modesta de carbono havia deixado a camada superficial. A transferência de CO₂ atmosférico para o oceano profundo ficou muito abaixo do necessário para que o método fosse considerado uma solução climática eficiente naquela região.
O experimento mostrou que o resultado da fertilização com ferro depende das condições ecológicas e das espécies presentes. A adição do elemento pode estimular algas, mas o carbono só chega a grandes profundidades se parte dessa biomassa não for consumida antes de afundar.







