Manaus, Sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Viajar com informação
Brasil

Sapo-tartaruga completa o desenvolvimento dentro do próprio ovo

Anfíbio australiano cava a areia com as patas dianteiras, alimenta-se de cupins e não passa por uma fase de girino livre.

O sapo-tartaruga (Myobatrachus gouldii) desenvolve-se longe de lagoas e passa grande parte da vida sob a areia. A fêmea deposita ovos em uma câmara subterrânea, e os filhotes saem deles já com a forma de pequenos sapos, sem atravessar uma fase de girino nadador.

A espécie vive no sudoeste da Austrália Ocidental, em áreas de vegetação baixa e florestas abertas. O solo arenoso oferece condições para a escavação e abriga colônias de cupins, que formam a maior parte da dieta. Durante períodos secos, permanecer enterrado ajuda o animal a conservar umidade e a evitar temperaturas extremas.

Escavação em sentido contrário

Enquanto muitos sapos que vivem sob o solo usam as patas traseiras e recuam para dentro da terra, o sapo-tartaruga avança com a cabeça. Seus membros anteriores, curtos e musculosos, empurram a areia e abrem o caminho para a frente. Esse comportamento permite alcançar galerias de cupins e formar câmaras subterrâneas.

O corpo largo e compacto reduz a resistência durante o deslocamento pelo sedimento. A cabeça pequena e arredondada se adapta a túneis estreitos, enquanto os olhos diminutos são compatíveis com uma rotina predominantemente subterrânea. O animal mede cerca de cinco centímetros, tem pele lisa e não possui casco, apesar da semelhança superficial com uma tartaruga. Também não é parente próximo desses répteis.

A alimentação ajuda a explicar o conjunto de características da espécie. Em vez de procurar presas na superfície, o sapo pode entrar no solo onde estão as colônias. Mandíbulas e língua participam da captura dos insetos, associando o formato do corpo, a força das patas e o ambiente em que vive.

Ovos enterrados

O macho vocaliza sob a terra, e o casal permanece em uma câmara que pode ficar próxima de um metro de profundidade. A fêmea põe ovos grandes, ricos em vitelo. O desenvolvimento ocorre dentro deles: as etapas que em outras espécies dariam origem a um girino acontecem antes da eclosão.

Quando nasce, o filhote já tem o formato de um sapo. Essa estratégia elimina a fase larval livre e reduz a dependência de poças temporárias, que são imprevisíveis em uma região com estação seca. Ainda assim, a umidade do solo e as condições sazonais continuam necessárias para os ovos, os adultos e a disponibilidade de alimento.

A sobrevivência do sapo-tartaruga depende das condições do substrato. Compactação causada por veículos, retirada de vegetação, mudanças no regime de fogo e alterações na umidade podem afetar o animal e os cupins de que ele se alimenta. Como permanece pouco tempo visível, sua presença pode passar despercebida em áreas modificadas.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5