O sapo-tartaruga (Myobatrachus gouldii) desenvolve-se longe de lagoas e passa grande parte da vida sob a areia. A fêmea deposita ovos em uma câmara subterrânea, e os filhotes saem deles já com a forma de pequenos sapos, sem atravessar uma fase de girino nadador.
A espécie vive no sudoeste da Austrália Ocidental, em áreas de vegetação baixa e florestas abertas. O solo arenoso oferece condições para a escavação e abriga colônias de cupins, que formam a maior parte da dieta. Durante períodos secos, permanecer enterrado ajuda o animal a conservar umidade e a evitar temperaturas extremas.
Escavação em sentido contrário
Enquanto muitos sapos que vivem sob o solo usam as patas traseiras e recuam para dentro da terra, o sapo-tartaruga avança com a cabeça. Seus membros anteriores, curtos e musculosos, empurram a areia e abrem o caminho para a frente. Esse comportamento permite alcançar galerias de cupins e formar câmaras subterrâneas.
O corpo largo e compacto reduz a resistência durante o deslocamento pelo sedimento. A cabeça pequena e arredondada se adapta a túneis estreitos, enquanto os olhos diminutos são compatíveis com uma rotina predominantemente subterrânea. O animal mede cerca de cinco centímetros, tem pele lisa e não possui casco, apesar da semelhança superficial com uma tartaruga. Também não é parente próximo desses répteis.
A alimentação ajuda a explicar o conjunto de características da espécie. Em vez de procurar presas na superfície, o sapo pode entrar no solo onde estão as colônias. Mandíbulas e língua participam da captura dos insetos, associando o formato do corpo, a força das patas e o ambiente em que vive.
Ovos enterrados
O macho vocaliza sob a terra, e o casal permanece em uma câmara que pode ficar próxima de um metro de profundidade. A fêmea põe ovos grandes, ricos em vitelo. O desenvolvimento ocorre dentro deles: as etapas que em outras espécies dariam origem a um girino acontecem antes da eclosão.
Quando nasce, o filhote já tem o formato de um sapo. Essa estratégia elimina a fase larval livre e reduz a dependência de poças temporárias, que são imprevisíveis em uma região com estação seca. Ainda assim, a umidade do solo e as condições sazonais continuam necessárias para os ovos, os adultos e a disponibilidade de alimento.
A sobrevivência do sapo-tartaruga depende das condições do substrato. Compactação causada por veículos, retirada de vegetação, mudanças no regime de fogo e alterações na umidade podem afetar o animal e os cupins de que ele se alimenta. Como permanece pouco tempo visível, sua presença pode passar despercebida em áreas modificadas.







