O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, apresentou nesta quinta-feira 3 um plano para retirar todos os palestinos da Faixa de Gaza e transferi-los para outros países. A proposta prevê a saída de 250 mil pessoas no primeiro ano e a transferência dos cerca de 2 milhões de habitantes restantes nos seis anos seguintes.
Ben Gvir, que lidera o partido de extrema direita Otzma Yehudit, chamou o projeto de “realista”. Ele afirmou que existem países dispostos a receber palestinos de Gaza, mas não informou quais seriam essas nações. O plano teria sido batizado de “Disengagement 710” e é apresentado pelo ministro como uma iniciativa de “migração voluntária”.
A proposta faz parte da campanha de Ben Gvir para as próximas eleições israelenses. O anúncio ocorreu um dia depois de o ministro da Defesa, Israel Katz, defender a remoção da população palestina de Gaza.
Declarações de Israel Katz
Em uma conferência organizada pelo Ynet, Katz afirmou que não haveria uma solução para o território sem a migração dos palestinos. Ele também disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria apenas congelado uma proposta de retirada, sem cancelá-la.
Katz declarou que Israel estaria preparado para realizar a transferência por mar, ar ou qualquer outro meio. Segundo o ministro, outros países poderiam aceitar palestinos caso recebessem apoio de Washington. O Egito, que faz fronteira com Gaza, rejeita a possibilidade de receber refugiados palestinos.
Na quarta-feira 2, Katz também buscou o apoio de Trump para o plano. O ministro considera o respaldo norte-americano fundamental para viabilizar a proposta.
As declarações ocorrem durante a campanha eleitoral em Israel e refletem a defesa, por integrantes da extrema direita do governo, de uma redução permanente da população palestina em Gaza.
Organizações de direitos humanos criticam a proposta. Elas alertam que a transferência em massa de uma população civil sob coerção ou indução poderia configurar crime de deslocamento forçado, proibido pela Convenção de Genebra, salvo em circunstâncias específicas previstas pelo direito internacional.








