Manaus, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Debêntures incentivadas ampliam spreads após bancos acumularem papéis

Bancos ficaram com 86,3% das emissões no segundo trimestre, enquanto fundos reduziram participação e resgates pressionaram o mercado secundário.

Debêntures incentivadas ampliam spreads após bancos acumularem papéis

As debêntures incentivadas acumuladas por bancos após ofertas sem compradores ampliaram a pressão no mercado secundário. Em setembro, a mediana dos prêmios desses papéis sobre as NTN-Bs subiu de 0,01% para 0,38%, uma alta de 0,37 ponto percentual. Em 1º de outubro, o indicador chegou a 0,42%, maior nível desde julho de 2024.

O aumento dos spreads ocorreu enquanto fundos enfrentavam resgates e demonstravam menor disposição para comprar. Com menos demanda, os bancos passaram a vender parte dos títulos mantidos em seus balanços, segundo a gestora Ibiuna. A instituição afirmou que esse fluxo encontrou um mercado sem compradores para as debêntures incentivadas.

Bancos concentram emissões

Levantamento com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostra que as instituições financeiras ficaram com 86,3% das debêntures incentivadas emitidas no segundo trimestre. A participação havia sido de 56,1% no mesmo período do ano passado e de 55% no primeiro trimestre deste ano.

No mesmo intervalo, a fatia dos fundos de investimento caiu de 28,5% para 8,3%. O volume total emitido recuou 33,1%, para R$ 22,9 bilhões. Como a maioria das operações tem garantia firme, os coordenadores ficam com os títulos que não encontram compradores.

No terceiro trimestre, as emissões somaram R$ 16,9 bilhões. O resultado representa queda de 52% em relação ao mesmo período de 2025 e de 26,3% ante o segundo trimestre. A participação das instituições financeiras foi de 53,6%, enquanto a dos fundos ficou em 21,5%. No mesmo período de um ano antes, os percentuais eram de 50,3% e 40,9%, respectivamente.

A Ibiuna havia estimado, em agosto, que ainda restavam R$ 15 bilhões nos balanços dos bancos, de um total de cerca de R$ 33 bilhões acumulados por falta de demanda naquele ano.

Resgates aumentam pressão

Para Pedro Claudino, analista da Empiricus, a venda de títulos pelos bancos é uma hipótese para explicar a abertura dos spreads. Ele afirmou que o movimento não parece ter sido provocado por eventos de crédito ou por uma onda de resgates semelhante à observada entre abril e junho deste ano.

A queda nos preços dos papéis passou a afetar as cotas dos fundos de incentivadas por meio da marcação a mercado. Em setembro, os resgates dos fundos isentos superaram as aplicações em R$ 13,97 bilhões, conforme dados da Credit Guide. O resultado foi a maior saída líquida desde maio, depois de uma entrada de R$ 10,85 bilhões em agosto.

Mario Markus, superintendente de renda fixa e crédito privado do Daycoval, disse que a falta de compradores reduziu a liquidez. “Nas últimas três semanas, o mercado começou a ficar um pouquinho mais vendedor, só que não tinha demanda.”

Duas fontes do mercado confirmaram as vendas dos bancos, mas disseram que elas não explicam todo o movimento. Também foram citadas vendas de papéis pelas tesourarias, a aproximação da eleição e a concorrência de ofertas de Fiagro.

Até agosto, os Fiagros haviam captado R$ 9,9 bilhões, acima do recorde anual de R$ 8,85 bilhões registrado em 2023. Itaú e BTG tinham ofertas em distribuição que somavam até R$ 24,85 bilhões.

Com a pressão já refletida nas cotas dos fundos, Markus avaliou que a normalização do mercado deve levar uns dois, três meses.

Texto produzido pela Redação Rumo ao Destino com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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