A Novartis enfrenta pressão sobre sua estratégia de aquisições depois que o fracasso do Del-desiran enfraqueceu uma das principais apostas feitas pela companhia para ampliar sua receita. O medicamento experimental, desenvolvido para o tratamento de atrofia muscular, não apresentou os resultados esperados na fase final do estudo, anunciou a empresa na terça-feira, 8 de setembro.
A aposta no produto foi apontada pela Novartis como a principal razão para a compra da empresa americana de biotecnologia Avidity Biosciences, por US$ 12 bilhões, em outubro de 2025. O resultado do estudo agora aumenta a pressão sobre o CEO Vas Narasimhan e sobre a política de fusões e aquisições adotada para fortalecer o portfólio da farmacêutica.
Reação dos investidores
As ações da Novartis caíram 10,6% na Bolsa de Zurique às 16h30, no horário local. Na Nyse, em Nova York, a baixa chegou a 13,1% às 10h40. Em poucas horas, a empresa perdeu US$ 30 bilhões em valor de mercado.
O episódio ocorreu um dia depois de os papéis recuarem mais de 3% após o fracasso do ensaio clínico do Pelacarsen, medicamento voltado ao coração. Del-desiran, Pelacarsen e o anti-inflamatório Pemibrutinib estavam entre os produtos considerados essenciais para impulsionar os resultados da companhia.
A Novartis também já havia interrompido oito de dez estudos de uma terapia celular experimental para doenças autoimunes, depois do registro de mortes de três pacientes. Com dois reveses recentes em ensaios clínicos, investidores passaram a avaliar com mais cautela os medicamentos em desenvolvimento.
Projeções e próximos produtos
Analistas do Barclays estimavam vendas anuais de até US$ 3,1 bilhões para o Del-desiran e atribuíam ao produto uma probabilidade de sucesso de 60%, com base em resultados positivos da fase intermediária dos testes. A expectativa era relevante enquanto a Novartis enfrenta a queda nas vendas do Entresto e se prepara para a expiração de suas patentes no início da próxima década.
James Eugene, analista da Verso Investment Management, acionista da Novartis, disse que o medicamento deveria ter sido uma vitória obrigatória para a empresa. Segundo ele, o fracasso deve aumentar a pressão sobre os demais produtos em desenvolvimento e abalar a confiança na estratégia de aquisições.
Shreeram Aradhye, presidente de desenvolvimento e diretor médico da Novartis, afirmou que desenvolver terapias para doenças como a distrofia miotônica tipo 1 continua sendo um desafio e que os contratempos fazem parte do progresso científico.
A empresa reiterou a projeção de crescimento anual das vendas entre 5% e 6% de 2026 a 2030. Analistas, porém, disseram que a meta passou a ser considerada inatingível após as duas falhas consecutivas. A Novartis tem valor de mercado de US$ 285 bilhões.







