O Santander protocolou novos pedidos relacionados à oferta pública de aquisição (OPA) voluntária de permuta para comprar a participação de cerca de 10% que ainda não possui no Santander Brasil. O banco espanhol também divulgou o laudo de avaliação elaborado pelo UBS BB para embasar a operação.
Entre os procedimentos estão os registros do Santander como emissor estrangeiro categoria A e dos Brazilian Depositary Receipts (BDRs) junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O banco pediu ainda a admissão desses BDRs para negociação na B3 e o registro da oferta de permuta no Brasil perante a CVM e a B3.
Nos Estados Unidos, o Santander protocolou uma declaração de registro no Formulário F-4 junto à Securities and Exchange Commission (SEC). O documento ainda não foi declarado efetivo pela SEC.
Relação de troca e avaliação
Pelos termos da proposta, os acionistas que entregarem ações ou units do Santander Brasil poderão receber BDRs do banco espanhol. Também haverá a alternativa de escolher American Depositary Shares (ADSs), que representam uma nova ação ordinária emitida pelo Santander.
A relação de troca será de 0,2028 BDRs ou ADSs do Santander para cada ação ordinária ou preferencial do Santander Brasil. Para cada unit ou ADS do Santander Brasil, a proporção será de 0,4056 BDRs ou ADSs do banco espanhol.
A metodologia usada no laudo indicou valor econômico entre € 12,62 e € 13,88 por ação, com base nos resultados de múltiplos de preço sobre lucro. O UBS BB avaliou as units do Santander Brasil e as ações do Santander por três critérios: preço médio ponderado, patrimônio líquido tangível e múltiplos de empresas comparáveis de mercado.
O primeiro critério considerou o preço médio ponderado nos 12 meses anteriores a 30 de junho de 2026, data em que o banco anunciou os planos da OPA. Também foi analisado o mesmo indicador entre o anúncio e 17 de setembro. O patrimônio líquido tangível teve como base as demonstrações financeiras de 30 de junho, enquanto o terceiro critério considerou empresas comparáveis.
De acordo com o laudo, os índices de troca propostos pelo Santander ficaram abaixo dos parâmetros dos três critérios. Na comparação com o preço médio de cotação, o índice variou de 0,3914, após a divulgação do plano, a 0,5223. Pela métrica do patrimônio líquido tangível, ficou em 0,6833. Nos múltiplos de empresas comparáveis, os valores foram de 0,2943 a 0,3559, com ponto médio de 0,3236.
Dados do Santander Brasil
O documento informa que o Santander Brasil ocupava o quinto lugar entre os bancos brasileiros por ativos totais, com R$ 1,29 trilhão e participação de 6,9%. A lista era liderada por Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Caixa.
Considerando os 12 meses anteriores a 30 de junho de 2026, o Santander Brasil tinha 76 milhões de clientes, carteira de crédito ampliada de R$ 714,8 bilhões, lucro de R$ 13,8 bilhões e receita total de R$ 74,7 bilhões.
O valor de mercado da operação era de R$ 111,3 bilhões, calculado com base no preço médio comparado da cotação das units nos 30 dias anteriores a 17 de setembro.
Quando anunciou a OPA, o Santander informou que a operação poderia alcançar € 1,9 bilhão e que os termos representavam um prêmio de 15% sobre o preço de fechamento de 30 de julho. Naquela data, as units do Santander Brasil encerraram o pregão cotadas a R$ 25,25.
A oferta não está condicionada a um percentual mínimo de adesão dos acionistas brasileiros, e o Santander Brasil seguirá como empresa listada na B3. O free float da instituição é de 10,2%, participação que corresponde ao alvo da oferta. A redução da liquidez das units pode abrir margem para uma possível deslistagem no futuro.
O laudo também menciona o percurso do Santander no México, cuja deslistagem da bolsa local foi concluída em abril de 2023 após uma OPA tradicional.
Por volta das 14h50, as units do Santander Brasil registravam queda de 0,90% e avaliavam o banco em R$ 159 bilhões. No ano, a desvalorização acumulada era de 12,9%.







