A Movida decidiu manter o tamanho atual da frota e concentrar esforços no aumento da utilização dos veículos, na redução de custos e na eficiência operacional. A estratégia inclui a internalização de serviços de manutenção e a ampliação da preparação própria de carros vendidos como seminovos.
O CEO da companhia, Gustavo Moscatelli, afirmou que a expansão da frota exige mais recursos e alavancagem em um negócio intensivo em capital. Com os juros elevados, a avaliação é de que acelerar as compras oferece uma relação menos favorável entre risco e retorno. “Então é melhor continuar com o atual tamanho e focar na experiência do cliente e na eficiência operacional”, disse.
A cautela não interrompeu as aquisições. A Movida continua comprando veículos para repor unidades vendidas e reforça as compras em períodos de maior demanda. Em junho, a frota consolidada somava 286 mil veículos, alta de 9% em um ano. A frota operacional média chegou a 244 mil carros, avanço de 10%. No mesmo período, a Localiza tinha 670,4 mil veículos.
A empresa registrou taxa de ocupação operacional de 76,2% no segundo trimestre de 2026, alta de 2,1 pontos percentuais em um ano. O volume de diárias aumentou 22%, para 7,4 milhões, enquanto a tarifa média do aluguel de carros subiu 7%, para R$ 165.
Moscatelli disse que o aumento simultâneo dos preços e do volume mostra que os reajustes não afastaram a demanda. Para ele, a escala, neste momento, não é o principal caminho para gerar valor, porque ainda há espaço para ganhos em outras áreas da companhia.
Relatórios do Itaú BBA e do BTG Pactual destacaram o desempenho do segmento de aluguel de carros e a eficiência operacional da Movida. O Itaú BBA também apontou a expansão das margens. Já o BTG Pactual avaliou que a projeção de lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões para o terceiro trimestre reforça a continuidade da demanda e do desempenho operacional.
O retorno sobre o capital investido atingiu 16,7% no segundo trimestre, recorde da empresa e alta de quatro pontos percentuais em um ano. O spread sobre o custo médio da dívida, após impostos, ficou em 5,7 pontos percentuais. Os analistas do BTG Pactual ponderaram que o desempenho das ações continuará relacionado às perspectivas para os juros, diante da estrutura de capital mais alavancada da companhia.
Oficinas próprias reduzem custos
A Movida abriu 10 oficinas próprias desde fevereiro por meio do projeto Movida Pit Stop. Segundo o release de resultados do segundo trimestre, a economia média chega a 25% em comparação com o serviço feito por terceiros. As unidades estão em cidades como São Paulo, Campinas, Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, e a empresa pretende ampliar a operação nacionalmente.
A meta é chegar a 50 oficinas próprias até o fim de 2027. Com isso, a companhia estima realizar internamente cerca de 60% da manutenção preventiva da frota. As unidades fazem serviços rápidos, como troca de óleo, manutenção de freios, substituição de pneus e revisões preventivas. Esses procedimentos representam cerca de 80% da manutenção, com atendimento médio de cerca de 40 minutos.
O NPS das oficinas próprias chega a 95%, segundo Moscatelli, ante uma faixa de 55% a 60% nas unidades terceirizadas. A Movida mantém uma rede de quase 5 mil oficinas credenciadas no País.
A companhia também está internalizando parte do processo de preparação dos veículos que saem do aluguel. Todos os meses, entre 7 mil e 8 mil carros deixam a operação e são direcionados à venda como seminovos. Atualmente, a Movida tem quatro centros próprios e planeja alcançar 10 unidades até meados de 2027.
Nesses centros, os veículos passam por pintura, serviços mecânicos, lavagem e polimento antes de serem levados às lojas. A economia em relação à contratação de terceiros chega a quase 50%, de acordo com o executivo.
Veículos chineses
A presença de montadoras chinesas no Brasil passou a ser considerada nas decisões sobre a composição da frota. A maior pressão está nos veículos com preços entre R$ 150 mil e R$ 250 mil. A Movida, porém, começou a reduzir a exposição a essa faixa cerca de dois anos antes.
A empresa tem cerca de mil veículos de marcas chinesas, em sua maioria híbridos da GWM. A companhia evita ampliar a exposição aos modelos totalmente elétricos por considerar que o segmento ainda está em desenvolvimento e enfrenta limitações de infraestrutura no Brasil.
Segundo o Citi, 84% da frota da Movida têm valor residual inferior a R$ 120 mil, enquanto 71% ficam abaixo de R$ 100 mil. Os carros chineses novos das mesmas categorias são vendidos por preços 97% superiores, de acordo com o banco.
Na B3, a ação MOVI3 acumulava queda de 12,5% no ano. O valor de mercado da Movida era de R$ 3,6 bilhões.








